A arte de aprender

Na
grande maioria das escolas de ensino fundamental e médio presentes hoje no
Brasil possuem uma grade curricular de forma em que, as matérias são separadas
por conhecimento abrangente. Dessa forma, não possibilita que seja feita uma conexão
entre elas, pois através desse modelo o estudante compartimentaliza o
conhecimento, ou seja, não correlaciona os conhecimentos aprendidos como parte
do cotidiano vivido por ele, bem como, um conhecimento evidente também em
outras matérias.
Assim
ao longo dos anos percebemos um grande número de pessoas que terminam o ensino
médio e odeia a matemática. Porém é importante lembrar que a matemática não é
algo fixo e estático como muitas pessoas pensam, pois fomos ensinamos a
enxergar a matemática como meros cálculos, contudo o termo matemática em suas raízes etimológicas teria um dos significados
possíveis de “arte de aprender”. Dessa forma ela está presente em tudo
ao nosso redor e ao afirmar isto incluo à arte que é a atividade
humana ligada a manifestações estética, criada a
partir de emoções, percepções e ideias e tem por objetivo de estimular
interesse de consciência nos espectadores, em que cada obra possui um
significado único e diferente. O termo arte etimologicamente
significa habilidade, e ao realizamos um trabalho artístico é necessário uma
destreza, além de utilizar uma lógica para compor uma peça, formando assim uma
junção muitas vezes despercebida entre formas
geométricas, noções de proporcionalidade, simetria entre outros conceitos. Muitas vezes a matemática é utilizada
de maneira despercebida aos olhares, como por exemplo, através do senso
matemático que é responsável pela maioria dos movimentos feito por nós.
Dessa forma foi
observado que não há uma matemática, mas múltiplas. Ao demonstrar a existência
e uso do senso matemático em atividades rotineiras estamos utilizando a
matemática que está presente em nós, registrada em nossa mente. Ao utilizar em
conjunto a matemática, cultura e arte no processo de ensinamento de um
estudante é perceptível que esse modelo pedagógico reflete alguns aspectos
positivos, são eles: desenvolvimento crítico, o estudante
é ser ativo no processo de aprendizagem, além de
um aprendizado efetivo, pois o discente poderá enxergar as aplicações do que
foi aprendido em sala de aula, além de aprender a valorizar conhecimentos
marginalizados na sociedade. Desse modo podemos perceber a existência da teoria
e prática, pois ao identificarmos a serventia do conhecimento aprendido
consequentemente temos uma aula mais produtiva que não é mais vista como
somente para reproduzir cálculos.
Dessa maneira, é importante salientar que um conhecimento não é superior
ao outro e que através da interdisciplinaridade e de um movimento intercultural
empregada no âmbito acadêmico podemos aprender conhecimentos marginalizados de
povos ancestrais que foram subjugados inferiores pelo processo de colonização e
muitos apagados pelo processo de valorização dos conhecimentos eurocêntricos, como por exemplo, os do povo Bora, exímios artesãos que
habitam a Amazônia peruana e colombiana, na América do Sul, podendo assim
construir uma mariposa através de cálculos matemáticos além deles os povos
Cokwe, Luchazi, Ngangela, entre outros social e culturalmente relacionados a
estes pertencem a uma área de grande concentração do movimento de escravização,
onde foram trazidos ao Brasil. Dessa maneira é possível perceber mais ainda o quão rico
e diversificada a nossa cultura é, mas que nega a sua ancestralidade, esses
povos produzem as lusonas desenhos na areia, vivem no leste de Angola e em regiões vizinhas, na Zâmbia e na
República Democrática do Congo, notáveis desenhistas, estes povos
possuem saberes milenares ensinando modos diferentes de organizar e difundir
conhecimentos, onde cada desenho realizado por eles representa fatos históricos,
arte, fonte de sabedoria da comunidade permitindo que a cultura seja preservada
e passada de geração em geração, entre outros. É necessário salientar que
os conhecimentos conversem horizontalmente para que haja uma plena formação
crítica dos estudantes, formando assim um rico espaço pedagógico.
Durante esses quase quatro
meses de aula participando do componente curricular matemática e espaço
consegui perceber a matemática e aprender de uma maneira que nunca imaginaria
ser possível em um meio acadêmico, através de povos tradicionais e suas
habilidades, bem como perceber a matemática presente na pavimentação. Logo, é
possível compreender que sou muito grata por ter tido essa oportunidade única
de estudar esses povos e foi necessário relembrar que a matemática está
presente também no meu cotidiano e mais gratificante ainda por saber que
aprendi através de um método tão significativo.
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