Primeiro trançado, Segunda aula
Aprendendo
Povos Bora realizando uma dança, exibindo suas belas roupas.
Durante a semana de acolhimento que ocorreu nos dias 11 à 13 de junho de 2018 não tivemos aula do componente curricular matemática e espaço, porém no dia 19 tivemos aula regularmente em que aprendemos um pouco do conhecimento dos povos Bora. A partir do processo de pesquisas e estudos crescentes sobre a matemática relacionada aos aspectos culturais, foi possível perceber que a matemática está presente também no cotidiano de povos ancestrais da nossa sociedade atual, chamado de povos tradicionais, bem como, que no cotidiano de cada um de nós a matemática se faz presente de maneira constante e indispensável.
Assim, foi possível denominar um novo campo da matemática chamado Etnomatemática termo proposto por um brasileiro chamado Ubiratan D' Ambrósio, que procura valorizar o ambiente em a pessoa viveu, dando relevância ao conhecimento muitas vezes desvalorizado no processo de construção do conhecimento no âmbito acadêmico comum/ tradicional, colonial e eurocêntrico.
Tal como prova é que durante toda a minha formação acadêmica nunca tinha estudado a matemática através do processo de identidade cultural de povos ancestrais, delimitando o acesso e o desenvolvimento de aprendizagem de outras formas de conhecimento em que ambos contribuem para a construção da formação integral do ser humano. Limitando o nosso processo de conhecer nossos ancestrais que foram tão importantes e que ainda são.
Nesse trançado ao lado podemos observar que é utilizado diversas mariposas para sua construção que é um conhecimento ancestral dos povos Bora que vivem na amazônia peruana e colombiana, na América do Sul. São conhecidos por serem ilustres artesões produzindo assim diversas peças como cestos, peneiras confeccionadas com tiras de fibra da planta bájyuhba.
Exemplo do trançado com
6 mariposas.
Nessa aula aprendemos também sobre a simetria que os trançados ao final podem ter e que as mariposas possuem e para isso ficamos por dentro do número de Fibonacci e o número de ouro que está presente em inúmeros trabalhos Gregos como no Partenon. Durante o renascimento, movimento que buscou de forma intencional a valorização dos conhecimentos estéticos gregos . Assim em 1492 Leonardo da Vincci desenhou o homem vitruviano demonstrando as medidas ideias de um corpo humano através da proporção de ouro, que seria o umbigo deve dividir o corpo segundo seção áurea, ou seja, o resultado da divisão da altura total pela altura do chão até o umbigo deve ser o número de ouro 1,618 (aproximado). Ninguém consegue explicar o que os faz tão harmonioso e atraentes. E são utilizados até mesmo por povos tradicionais que não sabem o que são mas os reproduzem pela estética que é produzida.
Ao poder montar um trançado que está presente no cotidiano do povo Bora foi uma experiência única. A mariposa que nos foi apresentada para confeccionar até pareceu difícil só olhando, porém depois que se conhece que deve transpassar várias fitas ora por cima ora por baixo seguindo um padrão tudo se tornou mais simples, pelo menos para a primeira mariposa que fiz. Depois fomos introduzidos ao termo terno ordenado (a,b,c) que ajuda a saber qual a mariposa deverá ser confeccionada utilizando assim uma simbologia matemática onde a registra a dimensão do centro; b identifica a quantidade de círculos concêntricos; c é a largura de anéis dentados consecutivos. A mariposa ao lado tem o terno ordenado de (1,3,2). Além disso aprendemos também a como descobrir através de um cálculo matemático o número de fitas que será utilizada para fazer cada mariposas dependendo do terno ordenado, bem como o tamanho de cada fita.
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